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20/03/2017

O rastreamento no câncer de próstata

De 1979 a 2012 o número de mortes devido à doença aumentou 400%

O câncer de próstata representa o tumor sólido mais comum em homens após os 50 anos. Estima-se que ocorram um caso novo a cada 2 minutos e uma morte a cada 20 minutos no mundo.

Em 2015 tivemos 1,2 milhão de casos novos e 335 mil óbitos por esta doença, com um aumento de 9,7% e 9,2% em relação a 2012, confirmando esta moléstia como um verdadeiro problema de saúde pública.

“Outras publicações estão surgindo após a decisão do US Services Preventive Task Force demonstrando aumento de 3% ao ano no diagnóstico de tumores de risco intermediário e alto, e também redução no número de diagnóstico de tumores de alto risco”

Comparando os dados de mortalidade no Brasil entre 1979 a 2012, chegamos a um aumento de 400%. Da mesma forma, o número perdido de anos potenciais de vida no mesmo período triplicou.

Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) estimam 68,8 mil casos novos e 15 mil óbitos no Brasil, enquanto que a OMS (Organização Mundial de Saúde) prevê 79.882 casos novos e 18.850 óbitos. Um estudo da Sociedade Brasileira de Urologia publicado em 2012 mostra que 30% dos pacientes tratados no estado de São Paulo, provenientes do SUS, já têm doença avançada no momento do diagnóstico, enquanto que nos doentes de convênios este número é igual a 20%.

Os estudos que embasam o USPSTF

Após a instituição do exame de PSA, no início da década de 1990, ocorreu uma diminuição dos índices de mortalidade ao redor de 40% nos últimos 15 anos em países onde o diagnóstico precoce é realizado rotineiramente.  No final de 2011, a US Services Preventive Task Force (USPSTF), órgão financiado pelo governo norte-americano, modificou sua recomendação sugerindo a não realização do rastreamento para o câncer de próstata, baseado em dois trabalhos (um americano e outro europeu). Eles acompanharam aproximadamente 240 mil homens, divididos em dois grupos, um em que se fazia rotineiramente a avaliação com toque retal e PSA e o outro em que não se realizavam os exames. A conclusão era de que não havia diminuição da mortalidade entre os grupos, além do que era necessário tratar 48 homens para salvar uma vida.

Entretanto, a análise mais detalhada desses estudos revela falhas importantes no seu desenho e recrutamento dos pacientes. Por exemplo, no estudo norte-americano 45% dos homens do grupo de controle haviam feito exames anteriormente para o diagnóstico do câncer de próstata e 52% dos pacientes deste mesmo grupo realizaram o exame do PSA durante o estudo. Portanto, podemos inferir que essa análise comparou grupos muito semelhantes.

A partir de então, outros estudos foram sendo publicados, como o de Gotemborg, que revelou uma redução de 44% no risco de morte por câncer na população, com acompanhamento por 14 anos. Outras publicações estão surgindo após a decisão do US Services Preventive Task Force demonstrando aumento de 3% ao ano no diagnóstico de tumores de risco intermediário e alto, e também redução no número de diagnóstico de tumores de alto risco, prejudicando os pacientes que poderiam estar curados dessa moléstia.

A SBU recomenda a ida a um urologista para homens com idade superior a 50 anos e aqueles que têm antecedentes familiares de câncer de próstata, cor de pele negra ou obesidade mórbida após os 45 anos.

Portanto, devemos recomendar e estimular os homens brasileiros a procurar o seu médico e discutir riscos e benefícios do rastreamento. Cabe ao médico escolher melhor as ferramentas diagnósticas, reavaliando sua periodicidade individualmente, e selecionar os potenciais homens que mais se beneficiarão do diagnóstico e do tratamento.

O futuro é promissor e novas formas de rastreamento vão magnificar os seus benefícios, diminuir seus custos e propor de forma particularizada a seleção do tratamento mais apropriado para cada situação levando em consideração não só a doença, mas a vontade do paciente.

Dr. Aguinaldo Nardi – Bauru, SP

 

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