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Câncer de testículo: em uma década, 17 mil pacientes tratados e mais de 4 mil mortes
No Abril Lilás, a Sociedade Brasileira de Urologia alerta que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura; já a torção testicular, outra condição que afeta os testículos, exige atendimento imediato para evitar necrose
2026 - O câncer de testículo, embora represente cerca de 5% dos tumores urológicos, acomete principalmente homens jovens em idade reprodutiva. De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos últimos dez anos foram realizadas mais de 17 mil cirurgias para remoção do testículo e registrados mais de 4,1 mil óbitos relacionados à doença – em centros de referência, a mortalidade esperada por essa doença é de menos de 5%.
Para reforçar a importância do diagnóstico precoce — que pode elevar as chances de cura para mais de 95% — a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) promove, ao longo do mês, a campanha Abril Lilás.
"O câncer de testículo não deve ser um tabu. O autoconhecimento é a nossa ferramenta mais poderosa contra esse tumor. Orientamos que o homem aproveite o momento do banho para apalpar os testículos e, ao notar qualquer alteração, procure um urologista para avaliação. Quando detectado em estágios iniciais, o índice de cura desse câncer é altíssimo, superando os 95%”. Um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp)* mostrou que cerca de 60% dos pacientes com câncer de testículo no Brasil já iniciam o tratamento em estágio avançado, o que implica maior necessidade de quimioterapia e terapias mais agressivas”, alerta Dr. Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU.
Fatores de risco e sintomas
Um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença é a criptorquidia (quando o testículo não desce para a bolsa escrotal durante a infância). Outros fatores incluem: histórico familiar ou pessoal da doença e exposição a determinados produtos químicos.
E o sinal mais comum é o aparecimento de um nódulo (caroço) duro, geralmente indolor, no testículo. Outros sintomas que podem surgir:
• Aumento do volume ou alteração na consistência do testículo
• Sensação de "peso" na bolsa escrotal
• Dor na região do baixo ventre
• Crescimento ou sensibilidade mamária (em casos raros, devido à secreção hormonal do tumor).
O autoexame é uma ferramenta importante para a detecção precoce do câncer de testículo. Ele pode ser feito em pé, durante o banho morno ou em frente ao espelho, com a palpação cuidadosa dos testículos. É importante comparar um lado com o outro e observar possíveis alterações, como a presença de nódulos, diferenças de tamanho, além de sintomas como dor no abdômen, na virilha ou no escroto.
Mais de 17 mil cirurgias de remoção de testículo e mais de 4 mil mortes registradas em uma década
Números do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde registraram 17.012 orquiectomias (cirurgia para retirada de um ou ambos os testículos) de 2016 a 2025, conforme as tabelas a seguir:
Orquiectomia uni ou bilateral com esvaziamento ganglionar de 2016 a 2025
Orquiectomia unilateral em oncologia de 2016 a 2025
"Ao analisarmos os mais de 17 mil procedimentos realizados no período, é fundamental esclarecer que a orquiectomia, na maioria das vezes, faz parte do tratamento curativo do câncer de testículo — não representa falha, mas sim uma etapa essencial da abordagem oncológica. Ainda assim, quando esse volume se associa a uma mortalidade elevada, o sinal de alerta é claro: seguimos diagnosticando tarde. Precisamos ampliar a informação e alcançar principalmente os homens jovens, incentivando o autoexame e a busca precoce por avaliação médica diante de qualquer alteração. Além disso, é imprescindível facilitar o acesso ao diagnóstico oportuno e ao tratamento em centros especializados, onde as taxas de cura ultrapassam 95%. Não podemos aceitar a perda da melhor janela terapêutica — e, pior ainda, da chance de cura — em uma doença que atinge justamente uma população tão jovem", ressalta Dra. Karin Anzolch, diretora de Comunicação da SBU.
No mesmo período, do Painel de Monitoramento de Mortalidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (ligada ao Ministério da Saúde) registrou 4.176 óbitos devido a essa neoplasia, sendo a maioria na faixa de 20 a 39 anos (2.544, o correspondente a 61%):
Número de óbitos em decorrência de câncer de testículo (2016 a 2020)
Número de óbitos em decorrência de câncer de testículo (2021 a 2025)
“Em centros de referência, esperamos curar mais de 95% dos homens com câncer de testículo. Mesmo em situações de diagnóstico muito tardio, os índices de cura chegam a 85%. Desta forma, esta taxa de mortalidade encontrada de 24,5% deve ser considerada excessiva mesmo levando em conta o fato de o diagnóstico no sistema público de saúde ocorrer em geral de forma tardia. O câncer de testículo envolve tratamentos coordenados e, caso não ocorram, observa-se este desfecho desfavorável”, destaca Dr. Fernando Korkes, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU.
“Infelizmente o câncer de testículo não é evitável, mas podemos ter iniciativas para propiciar diagnóstico precoce, tratamento eficiente e, assim, reduzir a mortalidade”, completa Dr. Korkes.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do câncer de testículo é realizado por meio do exame físico, ultrassonografia da bolsa escrotal e exames de sangue (marcadores tumorais como AFP, hCG e LDH).
O tratamento padrão inicial é a orquiectomia (remoção cirúrgica do testículo afetado). Dependendo do tipo celular do tumor e do estadiamento (se a doença se espalhou ou não), podem ser indicadas terapias complementares como:
1. Quimioterapia
2. Radioterapia
3. Linfadenectomia (remoção de gânglios linfáticos abdominais)
Reflexos na fertilidade
Em alguns casos, a vida reprodutiva dos pacientes diagnosticados com câncer de testículo pode já estar comprometida antes mesmo do tratamento, seja em decorrência do próprio tumor ou de condições genéticas associadas. “A retirada de um ou ambos os testículos pode impactar de várias formas a produção dos espermatozoides. A quimioterapia é tóxica para células produtoras de esperma. A cirurgia retroperitoneal pode levar a ejaculação retrógrada ou anejaculação. A radioterapia causa dano direto ao DNA das células testiculares. Diante disso, é fundamental que, antes mesmo do início de qualquer tratamento, seja oferecida a possibilidade de criopreservação de sêmen, medida que pode garantir a vida reprodutiva futura, principalmente para aqueles sem prole constituída”, afirma Dr. Roberto Dias Machado, supervisor da Disciplina de Câncer de Testículo da SBU.
De acordo com o urologista, atualmente, a oncofertilidade tem se destacado nesse sentido, integrando oncologia e reprodução assistida, propiciando:
1 - Cirurgias menos radicais e menos invasivas (laparoscópicas e robóticas), que preservam melhor a ejaculação;
2 - Vigilância ativa, reduzindo a necessidade de quimioterapia, com menor risco de infertilidade e melhor qualidade de vida;
3 - Técnicas avançadas de preservação seminal, com melhor processamento e armazenamento, recuperação cirúrgica de espermatozoides e preservação de tecido seminal.
“Essas medidas atuais e inteligentes favorecem uma melhor qualidade vida e visam uma melhor função reprodutiva, mantendo a eficácia oncológica”, completa Dr. Roberto Machado.
Dor aguda: torção de testículo é emergência
Outro problema grave que pode afetar o órgão é a torção de testículo, considerada uma urgência médica que exige diagnóstico e intervenção imediatos. Ela ocorre quando o cordão espermático gira sobre si mesmo, interrompendo o fluxo sanguíneo para o testículo. O sintoma principal é uma dor aguda e súbita na bolsa escrotal, muitas vezes acompanhada de náuseas, vômitos e inchaço local. É uma condição comum em adolescentes e adultos jovens.
O fator tempo é determinante para a preservação do órgão, pois, se o atendimento ocorrer nas primeiras 6 horas após o início da dor, as chances de salvar o testículo são superiores a 90%. Após esse período, o risco de necrose e perda definitiva do testículo aumenta.
O tratamento consiste em uma cirurgia de emergência para fixar o testículo e evitar novas torções, a chamada orquidopexia.
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde apontam que de 2016 a 2025 foram realizados 13.639 tratamentos cirúrgicos de torção de testículo do cordão espermático.
"A torção testicular é outro alerta importante deste mês e ainda pouco conhecida pela população. Trata-se de uma emergência urológica clássica em que o tempo é determinante — cada hora faz diferença. Os dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde reforçam que não se trata de uma condição rara. Quando o atendimento é rápido, conseguimos preservar o testículo na grande maioria dos casos. No entanto, atrasos na busca por assistência ou no diagnóstico ainda levam, em algumas situações, à perda do órgão. Nesses casos, pode ser necessária a orquiectomia, que é a remoção do testículo, associada à fixação do testículo remanescente para prevenir novos episódios. Informação e orientação são fundamentais para que pacientes, familiares e profissionais reconheçam precocemente os sinais e assim evitem desfechos irreversíveis", explica Dra. Karin.
Referência
*Soares SCM, Santos KMR, Fernandes FCGM, Barbosa IR, Souza DLB.
Testicular cancer mortality in Brazil: trends and predictions until 2030.
BMC Urology. 2019;19(1):59. doi:10.1186/s12894-019-0487-z
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Janaína Soares - janaina.soares@vithal.com.br | (21) 98556-6816
Materiais da campanha
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