Mpox volta a ser classificada como emergência sanitária
Uma nova variante do vírus mpox foi detectada no continente africano e a doença voltou a ser classificada pela OMS como uma emergência sanitária global. O infectologista Dr. José Valdez Madruga (SP), coordenador do Comitê Científico HIV/Aids e ISTs da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), esclarece nesta entrevista exclusiva à SBU as principais dúvidas sobre o vírus. Confira:
Quais as principais diferenças dessa nova variante mpox em relação à anterior?
Esta nova variante causa casos mais graves e não responde ao tratamento com tecovirimat.
A mpox pode ser considerada uma IST?
Sim. Mpox é considerada uma IST, mas também pode ocorrer transmissão não sexual.
Há lesões que podem ser consideradas como suspeitas ou características quando encontradas na área genital?
Sim. As lesões suspeitas são bem características. Causam pápulas que depois se transformam em pústulas, muitas vezes com umbilicação central e depois formam crostas. Podem ser dolorosas ou não. Podem ocorrer na região genital, no ânus ou em qualquer parte do corpo. Inclusive em mucosas. Boca e olhos. Podendo causar cegueira.
Quem é mais propenso a adquirir o vírus?
A infecção ocorre com maior frequência em homens que fazem sexo com homens, com múltiplos parceiros, portadores de HIV ou não e nos usuários de PrEP. Mas, também pode ocorrer em heterossexuais de ambos os sexos, inclusive em crianças.
Qual o tratamento para a doença?
No momento só temos um único tratamento específico. O medicamento tecovirimat e ele só está disponível em estudos clínicos. Temos tratamento sintomático com analgésicos.
Quais medidas podem ser adotadas para evitar o contágio?
Evitar o contato com pessoas portadoras de lesões de pele. Evitar aglomerações e principalmente diminuir o número de parceiros sexuais.
Além as erupções na pele, o vírus pode causar outras complicações mais graves?
Sim. O vírus também causa sintomas gerais como febre, cefaleia, astenia e aumento de linfonodos. Pode causar formas graves, podendo levar à cegueira e até mesmo à morte.
Há risco de o vírus chegar a outros países fora da África?
Sim. No mundo globalizado as infecções se disseminam rapidamente.
A vacina será destinada a qual população neste momento?
No momento, não temos vacina disponível no Brasil. Mas ela é mais indicada para a população mais afetada pela doença, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, principalmente os homens que fazem sexo com homens. HIV positivos ou não e usuários de PrEP.
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