Médicos realizam 10 telecirurgias robóticas a 2.700 km de distância em pacientes do SUS
Entre os dias 6 e 10 de julho, médicos realizaram uma série de dez telecirurgias robóticas urológicas de longa distância no âmbito do SUS, conectando cirurgiões no console no Hospital de Amor em Barretos (SP) à sala operatória no Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO), uma distância geográfica de 2.700 quilômetros. Foram oito prostatectomias radicais, uma nefrectomia parcial e uma nefrectomia radical em pacientes da fila de espera do SUS.
A equipe do Hospital de Amor de Barretos, já experiente em cirurgias robóticas, foi liderada pelo urologista Dr. Roberto Dias Machado, que coordenou o console cirúrgico. Já o urologista Dr. João Paulo Pretti Fantin, foi enviado a Porto Velho para coordenar e proctorar o programa in loco, juntamente com a equipe do Hospital de Amor da Amazônia, sendo liderado pelo cirurgião oncológico Dr. Potthyer Vieira Rocha e sua equipe. Esse foi o primeiro robô no SUS em Rondônia.
“Essa iniciativa demonstrou que é possível realizar, com segurança, uma série consecutiva de cirurgias robóticas urológicas complexas. A série cobriu um espectro amplo da cirurgia urológica oncológica robótica validando a telecirurgia em diferentes níveis de complexidade. Foram pacientes reais da fila do SUS, muitos com doença em estágio mais avançado, o que torna o resultado ainda mais relevante”, destaca o urologista Dr. João Paulo Pretti Fantin, vice-coordenador da Urologia do Hospital de Amor de Barretos e membro da SBU-SP.
Ao todo foram contemplados dez pacientes da fila do SUS, sendo:
• 8 prostatectomias radicais: sete dos oito casos eram de tumores localmente avançados, exigindo a realização de linfadenectomia pélvica estendida.
• 1 nefrectomia parcial: uma paciente de 49 anos.
• 1 nefrectomia radical: um paciente de 78 anos.
Desafios
A realização dos procedimentos envolveu rígidos protocolos de segurança e infraestrutura tecnológica. A transmissão operou com uma latência entre 60 e 68 ms, dentro do padrão de segurança (abaixo de 100 ms), mas no limite superior em alguns momentos.
Para garantir a estabilidade da rede, Dr. Fantin explica que a operação contou com um desenho de conectividade redundante e exclusivo para o robô:
Módulo 1 — Rede principal (Telebrás): Fibra óptica Lan-to-Lan (ponta a ponta) entre Barretos e Porto Velho, utilizando a infraestrutura da Telebrás. Neste módulo, Barretos usa um link dedicado de 1 Gbps.
Módulo 2 — Redundância (provedores locais): Quando o link principal não está disponível, a conexão entra em redundância usando dois provedores locais independentes. Esta é uma rede dedicada exclusivamente ao robô — não compartilhada com notebooks, computadores ou outros dispositivos. Neste módulo, Barretos usa 1 Gbps e Porto Velho usa 200 Mbps.
"Diferente da realidade dos serviços privados, os pacientes do SUS em Rondônia costumam chegar com diagnósticos mais tardios, apresentando tumores localmente mais avançados, maior volume prostático e mais comorbidades associadas, o que torna cada prostatectomia radical ainda mais desafiadora. Além disso, treinar a equipe de Porto Velho para atuar como braço presencial e a equipe de Barretos para responder na velocidade ideal diante de um comando remoto exigiu simulações específicas e protocolos de comunicação distintos da cirurgia convencional. Por fim, sincronizar duas equipes a 2.700 km de distância, com instrumentação e ritmos cirúrgicos próprios, demandou um planejamento extremamente meticuloso", destaca Dr. Fantin.
Perspectivas de expansão
A meta do Hospital de Amor é transformar a unidade de Barretos em uma central de inteligência médica conectada a outras regiões do país onde a instituição está presente. O projeto deve ganhar reforço com a inauguração do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica em Barretos, prevista para 2027.
"Este projeto só foi possível graças a uma parceria virtuosa entre o Hospital de Amor, o IRCAD América Latina, os Ministérios da Saúde e das Comunicações. Ressalta-se o investimento de R$ 2 milhões para viabilizar a conexão de alta performance. Lembramos que a telecirurgia robótica não substitui o cirurgião presencial — amplia o alcance do especialista onde ele mais falta. Nesta fase de implantação tanto do programa de cirurgia robótica em Porto Velho quanto da telecirurgia, um cirurgião experiente foi enviado para treinamento in loco e agora outros cirurgiões treinados poderão dar todo o suporte e realizar também os procedimentos naquela unidade. Para o paciente do SUS, isso significa menos viagem, menos espera e mais acesso à tecnologia de ponta", destaca Dr. Fantin.
Conheça os membros das equipes:
Equipe de Barretos
- Roberto Machado (chefe do serviço e cirurgião do console a distância)
- Cinthia Alcantara (urologista)
- Ronaldo Neiva (urologista)
- Flavio Barroso (urologista)
- Isabelle Maruoka (urologista)
Cirurgião de Barretos in loco:
- João Paulo Fantin
Equipe de Porto Velho
- Potthyer Vieira Rocha (cirurgião oncológico)
- Miriam Paniz (urologista)
- Fabio Castelo Branco (urologista)
- Gabriel Scarpa (urologista)
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