100 anos: crescimento, união, aprimoramento científico e compromisso com a Urologia
Por Janaína Soares
No dia 13 de maio de 1926 nascia, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira de Urologia, com o objetivo de reunir especialistas dedicados ao estudo, desenvolvimento científico e aprimoramento da prática da Urologia no Brasil. Nesses cem anos de história, a entidade tem desempenhado papel fundamental na formação médica continuada, na promoção de congressos e na elaboração de diretrizes que orientam a assistência urológica em todo o país. Ao celebrar seu centenário, a SBU reafirma sua trajetória de compromisso com a excelência científica, a inovação tecnológica, a defesa dos urologistas e da saúde urológica dos pacientes.
Para marcar essa data histórica, uma série de ações estão sendo programadas, algumas delas, inclusive, já são conhecidas, como o lançamento de um selo comemorativo.
“O centenário da SBU é um marco histórico que simboliza anos de dedicação à ciência, à ética e ao cuidado com a saúde da população brasileira. Celebrar essa trajetória é reconhecer o trabalho de gerações de urologistas que construíram uma instituição sólida, respeitada e comprometida com a excelência. Ao mesmo tempo, renovamos nosso compromisso com a inovação, a formação contínua e a defesa da boa prática médica, olhando para o futuro com a responsabilidade de seguir avançando e contribuindo para uma urologia cada vez mais moderna, acessível e humanizada no Brasil. Faço parte desta história desde 1998 e, ao longo desses anos, acompanhei e vivi de perto a evolução da nossa Sociedade; presidir a SBU em seu centenário é, para mim, a síntese de um compromisso contínuo com a Urologia brasileira e representa a realização de uma trajetória construída com dedicação, aprendizado e profundo orgulho da nossa especialidade”, destaca Dr. Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU.
Um pouco de história
O primeiro presidente a conduzir a SBU em seus primeiros passos foi o pernambucano Agenor Edésio Estellita Lins, considerado um dos mais importantes urologistas do país. Coube a ele reunir cirurgiões interessados no sistema urinário para concretizar o sonho da nova Sociedade.
O primeiro congresso aconteceu em 1935, contando com a presença de autoridades como o então presidente Getúlio Vargas e o prefeito do Rio de Janeiro à época, Pedro Ernesto. Em 1947, o evento teve como sede a cidade de Belo Horizonte, sob a liderança do urologista e então prefeito Juscelino Kubitschek, posteriormente escolhido patrono da Sociedade.
A partir de 1977, a SBU passou a estabelecer as normas para a concessão do Título de Especialista em Urologia, consolidando seu papel como referência nacional na formação e certificação profissional.
Ao longo das décadas, a SBU fortaleceu-se, ampliando seu quadro de associados e reafirmando seu protagonismo científico e institucional, tornando-se cada vez mais sólida e representativa no cenário médico brasileiro.
Livro sobre o centenário
Para que toda essa história seja documentada e para sempre lembrada, está programado o lançamento de um livro no centenário da entidade, organizado pelo Dr. Alfredo Felix Canalini (presidente da SBU no biênio 2022-2023), que nos conta, a seguir, um pouco sobre a obra, intitulada A História da SBU.
Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Na realidade o livro sobre a história da SBU já existia, escrito pelo Prof. Sérgio Aguinaga, e uma segunda edição atualizada foi lançada na comemoração do 85º aniversário da Sociedade. Porém era necessário fazer uma terceira edição, atualizada, em homenagem ao centenário da SBU, e a execução dessa tarefa se deu pelo convite que, no início da 2024, me fizeram o Dr. Luiz Otávio Torres, presidente à época, e o Dr. Roni Fernandes, à época presidente eleito.
Como ex-presidente da SBU, o que significa para o sr. participar de uma obra em comemoração ao centenário da entidade?
Primeiro foi uma honra ter sido designado para essa tarefa, dando continuidade à obra do Prof. Aguinaga, que foi meu chefe na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e ter meu nome inserido como coautor do registro da memória da nossa Sociedade, nessa terceira edição que em breve será lançada. Mas também me senti desafiado a executar essa tarefa, e desde cedo comecei a resgatar a memória dos 25 anos mais recentes da nossa Sociedade, lendo e relendo todas as atas de reunião de diretoria de dez gestões, consultando as edições do BODAU disponíveis, garimpando fotografias e conversando com antigos presidentes para poder redigir um texto fidedigno aos fatos ocorridos. A equipe administrativa me ajudou a acessar todas as informações, textuais e iconográficas, mas o trabalho de leitura de todo o material e elaboração do texto eu preferi fazer sozinho, sempre enviando o texto finalizado referente a cada gestão para seu respectivo ex-presidente com o objetivo de verificar a veracidade dos fatos narrados. Agradeço a todos.
Que passagens do livro o sr. destacaria?
O livro é um relato contínuo, e me chamou muito a atenção como a SBU evoluiu ao longo do tempo, crescendo em tudo que dependesse das equipes que se sucederam, mas pouco crescendo naquilo que dependia de órgãos governamentais. Mas a perseverança e a resiliência dos gestores foi o que fez a SBU ter a importância que tem agora, dentro e fora do nosso Brasil. Haverá também textos da história das seccionais, da trajetória do BODAU e do IBJU, elaboradas por seus respectivos gestores, à semelhança do que fez o Prof. Aguinaga na segunda edição.
Confira o primeiro capítulo de Fragmentos da História da SBU, série publicada no Portal da Urologia e no SBU On-Line, escrita pelo Dr. Alfredo Canalini:
A doença e a morte, indissociáveis da existência, foram consideradas, em muitas religiões, punições dos deuses infringidas à humanidade por seus erros e pecados. Impregnados por essa percepção, e também pelo sentimento de solidariedade e compaixão aos enfermos, surgem os primeiros “médicos” na figura de xamãs, mistura de terapeuta com sacerdote, que aliavam aos tratamentos alguns rituais de reconciliação com a divindade. O senso do dever moral da medicina fez com que nossa profissão tivesse o primeiro código de conduta, enaltecendo o valor da vida e o respeito ao enfermo: o Juramento de Hipócrates. Seu texto, datado do século V a.C., determina que as cirurgias para os que sofrem de cálculos fossem feitas, preferencialmente, pelos que têm prática nesse procedimento. Foi a primeira especialidade a ter uma “matriz de competência”.
Ao longo do tempo a urologia foi protagonista no desenvolvimento de várias tecnologias aliadas à medicina, principalmente nos procedimentos endoscópicos, e foi natural que profissionais tão capacitados se unissem criando sociedades de especialidade em seus países.
O início do século XX foi um momento de muitas transformações no Brasil, levando a eventos como o Movimento Tenentista e a Semana de Arte Moderna. Foi nesse período que o médico Dr. Agenor Edésio Estellita Lins, interessado no tratamento das doenças do trato urinário, e que praticava, dava cursos e ensinava a cistoscopia em seu consultório, resolveu fundar a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Num primeiro encontro com o Dr. Brandão Filho, no bar Golfinho, em Copacabana, Dr. Estellita Lins o convenceu a ajudá-lo a tornar realidade esse projeto. Após duas reuniões preparatórias, finalmente em 13 de maio de 1926 foi lavrada a ata da fundação da SBU, e eleita a primeira diretoria, composta pelos doutores Estellita Lins, presidente, Brandino Corrêa, secretário-geral, e Joaquim Travassos, tesoureiro.
Além desses três colegas, assinaram a ata de fundação os doutores:
1. Paulo Castro Lima,
2. Alfredo Herculano,
3. Luiz Capriglioni,
4. Oswaldo Loureiro,
5. Oswaldo Monteiro,
6. Abdon Lins,
7. José Wenceslau Junior,
8. José da Silva Vizella e
9. Avelino Alves Palma.
Desde o primeiro momento houve a preocupação em ministrar cursos de urologia, porque somente 11 anos depois seria criada a primeira “cadeira de vias urinárias”, na Universidade do Rio de Janeiro.
Mas não bastavam cursos, era importante também termos um congresso, o que se tornou realidade em 1935, na gestão do Dr. Álvaro Cumplido Sant’Anna, com os seguintes temas oficiais:
1°- Problemas de Urologia Tropical
2° - Cirurgia Endoscópica da Próstata
3° - Importância Social das Infecções Genitais Masculinas
Nesse primeiro encontro a SBU já mostrava seu protagonismo: junto com nosso evento aconteceu o 1° Congresso Americano de Urologia, que pode ser considerado o berço da Confederação Americana de Urologia, a CAU.
Nossa especialidade evoluiu muito ao longo desses 100 anos, tanto em ciência como em tecnologia. E nossa Sociedade acompanhou esse ritmo, atendendo às demandas dos urologistas e às necessidades de nossos pacientes. Nos tornamos uma Sociedade respeitada no Brasil e também além de nossas fronteiras. Crescemos graças ao empenho das sucessivas diretorias, enfrentando momentos de graves crises como a Segunda Guerra Mundial e a Covid-19.
Texto: Dr. Alfredo Felix Canalini
Programação especial
Além do livro que documenta os seus 100 anos de história, a SBU em seu centenário contará com uma programação especial.
“Pensamos em uma programação que representasse não apenas a história da SBU, mas também a força e a união da nossa Sociedade ao longo desses cem anos. Começamos em janeiro com o lançamento do logo e do selo do centenário, além da série ‘Fragmentos da História da SBU’ em nossas plataformas digitais, resgatando momentos marcantes da nossa trajetória. Em março, convidamos os associados a celebrarem conosco por meio de uma moldura especial para redes sociais, reforçando o sentimento de pertencimento. Em abril, teremos uma sessão comemorativa durante o Congresso de Uro-Oncologia em São Paulo, e em maio concentraremos momentos simbólicos, como o lançamento do livro A História da SBU, a cerimônia oficial, com o descerramento da placa comemorativa, a entrega de troféus aos grandes parceiros históricos e o lançamento do pin do centenário. Encerramos esse ciclo especial em outubro, com uma celebração na Jornada Carioca de Urologia, reafirmando nosso orgulho do passado e nosso compromisso com o futuro”, destaca Dra. Karin Anzolch, diretora de Comunicação da SBU e membro da comissão organizadora do centenário.
Ao longo desses cem anos, a Sociedade Brasileira de Urologia construiu uma trajetória marcada pela excelência e consolidou-se como a terceira maior entidade urológica mundial. E seu centenário celebra também a renovação do propósito de seguir promovendo conhecimento, inovação e integração entre gerações de urologistas, afinal, a SBU não para!
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