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28/08/2026

SBU lança nova edição do Manual Interativo de Mídias Sociais para Urologistas atualizado

Já está disponível para consulta dos urologistas o novo MIMUS, Manual Interativo de Mídias Sociais para Urologistas da SBU. A publicação está atualizada de acordo com a Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, que apresenta mudanças importantes para os médicos para divulgação de conteúdo nas redes sociais. 

O MIMUS conta com redação da jornalista Aline Thomaz, diretora da Vithal Comunicação Integrada, e revisão de conteúdo da Dra. Karin Anzolch, secretária-geral e diretora de comunicação da SBU e conselheira coordenadora da Comissão de Assuntos Médicos do CREMERS.

A seguir, o presidente da SBU, Dr. Roni de Carvalho Fernandes, fala sobre a importância do manual para os urologistas.

Por que a SBU decidiu relançar o MIMUS atualizado?

Dr. Roni Fernandes - O MIMUS nasceu na gestão do Professor Pompeo à frente da SBU, como uma iniciativa apoiada por ele e construída em conjunto com a Dra. Karin Anzolch, com um objetivo muito claro: oferecer ao urologista brasileiro um guia prático e seguro para usar as mídias de forma ética, responsável e eficaz.

De lá para cá, o cenário de comunicação médica mudou profundamente. Novas plataformas, novos formatos de conteúdo, novas expectativas dos pacientes e, principalmente, novas regras do Conselho Federal de Medicina. A Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, trouxe mudanças importantes: permitiu, por exemplo, o uso de imagens de “antes e depois” em caráter educativo, detalhou o que pode e o que não pode ser divulgado, e reforçou a necessidade de transparência, identificação profissional e proteção de dados do paciente.

Além disso, o próprio CFM lançou um Manual de Publicidade Médica e uma plataforma dedicada para esclarecer essas novas regras, mostrando o quanto o tema se tornou central na prática médica.

Por tudo isso, a SBU entendeu que era momento de atualizar o MIMUS. Não se trata apenas de “revisar um texto”, mas de oferecer ao urologista uma ferramenta alinhada à legislação vigente, às boas práticas de comunicação digital e à realidade do dia a dia do consultório, do hospital e das redes sociais.

Por que a SBU considera importante que o urologista saiba se comunicar adequadamente nas redes sociais?

Dr. Roni Fernandes - A comunicação é parte do ato médico. O paciente de hoje busca informações sobre saúde na internet, compara profissionais, lê depoimentos, assiste a vídeos e, muitas vezes, chega ao consultório já com expectativas formadas a partir do que viu nas redes. Se o urologista não estiver presente de forma qualificada nesse ambiente, ele perde a chance de:

Orientar com fonte confiável e baseada em evidências;

Corrigir informações equivocadas que circulam amplamente;

Construir uma relação de confiança antes mesmo da primeira consulta;

Posicionar a urologia brasileira como referência de seriedade e atualização.

Ao mesmo tempo, uma comunicação mal conduzida pode gerar problemas éticos, jurídicos e reputacionais — tanto para o profissional quanto para a especialidade. Por isso, a SBU vê a comunicação digital como uma competência que precisa ser desenvolvida com a mesma seriedade com que treinamos técnica cirúrgica, diagnóstico e conduta clínica.

O que o médico encontrará no MIMUS que poderá ajudá-lo, na prática, a melhorar sua comunicação com pacientes e sua presença nas redes sociais?

Dr. Roni Fernandes - O MIMUS atualizado foi desenhado para ser um manual prático, objetivo e aplicável. O urologista vai encontrar:

Orientações claras sobre o que pode e o que não pode fazer nas redes sociais, à luz da Resolução CFM nº 2.336/2023 e das normas complementares do CFM e dos CRMs.

Exemplos concretos de posts, legendas, vídeos e stories que seguem as regras de publicidade médica, incluindo uso de imagens, “antes e depois”, divulgação de títulos e especialidades, e informações sobre serviços e tecnologias.

Checklists e fluxos decisórios para o profissional avaliar, antes de publicar: “Isso está dentro da ética? Está protegendo o paciente? Está me identificando corretamente (nome, CRM, RQE)? Está evitando promessas e sensacionalismo?”

Recomendações sobre privacidade e LGPD, incluindo como obter e documentar o consentimento do paciente para uso de imagens e depoimentos.

Diretrizes para comunicação de crises, como lidar com comentários negativos, fake news, exposição indevida e situações que possam colocar em risco a reputação do profissional ou da instituição.

Sugestões de calendário editorial, temas recorrentes em urologia (câncer de próstata, litíase, incontinência, saúde sexual, pediátrica etc.) e formas de adaptar a linguagem para diferentes públicos e plataformas (Instagram, LinkedIn, YouTube, TikTok).

Em resumo: o MIMUS quer ser um “manual de bordo” para o urologista navegar com segurança e eficiência no ambiente digital.

Diante do avanço da inteligência artificial e das novas formas de buscar informações sobre saúde, como o senhor acredita que será a relação entre médico, paciente e comunicação digital nos próximos anos?

Dr. Roni Fernandes - A inteligência artificial já está transformando a maneira como os pacientes buscam, filtram e interpretam informações sobre saúde. Nos próximos anos, essa tendência só vai se acelerar: chatbots, assistentes virtuais, algoritmos de recomendação e ferramentas de triagem baseadas em IA vão fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas.

Nesse cenário, vejo três movimentos principais:

Mais informação, mas nem sempre mais qualidade.

A IA pode gerar conteúdo rápido e personalizado, mas também pode reproduzir erros, vieses e informações desatualizadas em escala. O papel do médico será cada vez mais o de curador e tradutor desse conteúdo, garantindo que a informação chegue ao paciente de forma correta, contextualizada e humanizada.

Relação médico-paciente mais híbrida.

Parte da orientação vai ocorrer de forma digital, antes e depois da consulta: mensagens, vídeos, materiais educativos, acompanhamento remoto. O consultório presencial seguirá essencial, especialmente para exame físico, procedimentos e decisões complexas, mas a comunicação digital será um prolongamento natural do cuidado.

Necessidade de transparência e regulação.

Será fundamental deixar claro quando um conteúdo foi gerado ou auxiliado por IA, quem é o responsável técnico pela informação e quais são as limitações daquele material. A SBU, junto com o CFM e outras entidades, terá um papel importante na construção de diretrizes para o uso ético da IA na comunicação em saúde.

O MIMUS atualizado já nasce com esse olhar de futuro: não é apenas um manual sobre “o que postar hoje”, mas um instrumento para formar urologistas capazes de se comunicar bem em um ambiente em constante transformação, mantendo a ética, a ciência e o respeito ao paciente no centro de tudo.

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