A adolescência não é uma fase, mas é o início de uma construção

Ser um adolescente fisicamente ativo não é apenas bom, é excelente, é fundamental, principalmente para a formação do adulto que está por vir. Nessa fase, de construção da autoestima, praticar atividade física, fazer algum esporte, transforma de maneira positiva a autoconfiança. O adolescente passa a acreditar mais em si e em sua capacidade de realizar coisas. E para os meninos, sobretudo, que buscam na força física uma forma de se afirmar.

Junto a isso, vem o poder de sociabilização que só o esporte (e quem já fez esporte na vida sabe disso) consegue fazer entre as pessoas, criando amigos, grupos, um network também importante para a vida profissional, ligando pessoas com interesses comuns dentro e fora da atividade esportiva. Os valores e o próprio estilo de vida de grupos de adolescentes que fazem esporte ou atividade física é diferente, e a distância para caminhos errados é maior que para grupos com nenhum interesse esportivo.

Até aqui falei apenas de aspectos da saúde emocional. Nem cheguei a citar o aspecto mental, ligado à cognição, por exemplo. Na capacidade, já é cientificamente comprovada que a atividade física tem o poder de multiplicar, ou seja, criar novos neurônios. E, ainda, na melhora do foco, da capacidade de raciocínio, da capacidade de improvisar, de criar, de fazer táticas e recriar táticas quando as primeiras dão errado, de tomar decisões.

Como se não bastasse tudo isso, o exercício físico é excelente para o próprio… físico, o corpo, a saúde do adolescente. Um corpo forte, que se movimenta, que tem disposição e vigor, tem por dentro órgãos funcionando a todo vapor, exercendo suas atividades de forma impecável. Sim, claro… Na adolescência tudo é uma maravilha, hormônios a mil, metabolismo a duzentos mil… Mas essa fase passa, e o corpo começa a ser menos prioridade na guerra do dia a dia, por trabalho, carreira, dinheiro, etc. E por isso, se o adolescente já criou, além de músculos, o hábito de ter incorporado à sua rotina o exercício físico, será bem maior a probabilidade de mantê-lo na vida adulta sem grandes “esforços”.

Infelizmente, a taxa de sedentarismo e obesidade entre adolescentes e adultos, hoje em dia, só faz crescer. Por isso, é ainda mais primordial que essa geração de adolescentes de hoje tenha a consciência da importância de cuidar da saúde, sobretudo com atividade física regular. Não precisa muito, um pouco todos os dias, mas nada é mortal. Mortal mesmo, no sentido verdadeiro da palavra. Só não é tão mortal, porque a medicina nos dá chance de sobreviver das formas mais variadas, até mesmo cruéis, às vezes, com nenhum prazer, nenhuma mobilidade, nenhuma interação com o mundo. Então, os adolescentes têm que decidir hoje como vão querer passar esses anos de vida, lá na frente, com 80, 90 anos, em que estarão vivos, sim, e que serão pura e simplesmente o resultado do que fizeram e construíram ao longo de suas vidas.

Marcio Atalla, professor de Educação Física, com especialização em Treinamento de Alto Rendimento e pós-graduação em Nutrição pela USP

 

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