Confira como foi a participação da SBU no Uro-Onco 2026
De 15 a 18 de abril foram realizados no WTC, em São Paulo, o 17º Congresso Internacional de Uro-Oncologia e o 12º Simpósio Multiprofissional de Uro-Oncologia. E a SBU fortaleceu, mais uma vez, sua parceria com o evento, que contou com mais de 5,4 mil inscritos e é o maior da área de uro-oncologia do mundo.
Os números refletem essa grandiosidade: mais de 100 horas de conteúdo, com a presença de mais de 300 palestrantes, incluindo 20 convidados internacionais, vindos de seis países, compartilhando conhecimento e experiências.
Nossa programação foi cuidadosamente estruturada para promover uma experiência completa e integrada: foram quatro dias de plenárias temáticas, três dias dedicados à arena robótica, um dia inteiro de programação multiprofissional em uro-oncologia, além de dez cursos paralelos, como encontros de radioterapeutas e ligas acadêmicas, cursos de oncogenética, oncologia de consultório, imagem, novas terapias como ADC, e capacitações voltadas a enfermeiras de centro cirúrgico e instrumentadores. Essa integração multiprofissional conecta profissionais da saúde e pesquisadores às inovações que estão transformando diagnósticos, tratamentos e, sobretudo, a experiência do paciente.
Abertura
Tive a honra de participar da abertura ao lado do Dr. Fernando Maluf, idealizador do congresso, Dr. Alexandre Pompeo, representando a comissão organizadora, e Dr. Cristiano Gomes, presidente da nossa seccional São Paulo. Em seguida, ao lado do Prof. Dr. Antônio Carlos Lima Pompeo, meu professor e ídolo dentro e fora da SBU, participamos juntos de um debate com o Dr. Laurence Klotz, referência mundial em vigilância ativa no câncer de próstata de baixo risco. Klotz mostrou, em sua aula sobre radiogenômica e a história natural do câncer de próstata visível versus invisível, como a combinação de imagem (RM) e biologia tumoral pode nos levar a protocolos em que a ‘visibilidade’ do tumor na imagem pesa tanto quanto – ou mais que – o Gleason na decisão entre vigilância ativa e tratamento radical, com potencial de mudar até a forma como realizamos a biópsia sistemática.
A Dra. Elena Castro, onco‑urologista espanhola, trouxe uma visão brilhante sobre o uso de testes genômicos no câncer de próstata, discutindo o papel das mutações em genes de reparo de DNA (como BRCA) e das terapias-alvo, especialmente os inibidores de PARP.
Sua aula reforçou como os testes genômicos podem apoiar a tomada de decisão em pacientes com doença localizada de baixo e intermediário risco, ajudando na escolha entre vigilância ativa e tratamento definitivo de forma mais personalizada.
Experts em robótica
Como presidente da SBU, tive a honra de participar do Fórum de Experts em Cirurgia Robótica, na arena robótica, com a palestra: “A cirurgia robótica chegou ao SUS e à ANS: e agora?”.
Debatemos temas que estão mudando a prática no Brasil: aquisição e manutenção das plataformas robóticas, operacionalização e logística para o paciente, remuneração, treinamento do cirurgião e da equipe, teleproctoria e telementoria – sempre em diálogo com colegas com grande experiência regulatória no CFM, legislativa em Brasília e em proctoria em robótica.
Plenária cheia, atenta, com muitas dúvidas e questões que ainda precisaremos enfrentar para cumprir os pilares da SBU: defesa profissional, ensino e qualificação.
Diretrizes para tratamento do câncer de bexiga
Também participei do projeto de diretrizes conjuntas para tratamento do câncer de bexiga, com coordenação do Dr. Fernando Korkes, que também é coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU.
A reunião presencial contou com especialistas da SBU, SBOC, SBRT, SBP e do Instituto Oncoguia. Depois de duas reuniões on-line, discutimos, votamos e concluímos um documento único, com fluxogramas de decisão clínica inspirados no modelo do NCCN, contemplando as opções de tratamento disponíveis no Brasil, tanto no SUS quanto na saúde suplementar.
A expectativa é lançar oficialmente o documento em julho, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de bexiga, segundo tumor urológico mais frequente e um dos tumores mais comuns do trato urinário.
Serviços de residência
Participei ainda da primeira reunião da SBU com os serviços de residência médica em Urologia da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) que já foram ou desejam estar credenciados pela SBU. O diretor e coordenador da Comissão de Ensino e Treinamento da SBU, Dr. Silvio Almeida, e os membros da comissão apresentaram números, normas e regras e conduziram uma discussão muito importante e produtiva, com o objetivo de aproximar todos da SBU e permitir a participação na prova seriada do Pró-TiSBU e em todos os benefícios da Sociedade.
Foi extremamente enriquecedor ouvir preceptores e coordenadores desses serviços, para orientar, apoiar e colaborar com a melhoria do ensino dos futuros urologistas. A SBU, dentro de seus pilares de educação continuada, formação e qualificação, tem o compromisso de estar ao lado de todos os urologistas e serviços de formação.
Centenário da SBU
Ao lado da Dra. Karin Anzolch, secretária‑geral e vice‑presidente eleita para o biênio 2028/29, tive a honra de apresentar, em plenária, a história de quase 100 anos da SBU. Fundada em 1926, a SBU nasceu para organizar uma especialidade que ainda dava seus primeiros passos no Brasil: reunir cirurgiões interessados nas vias urinárias, promover ensino, realizar congressos e incentivar pesquisa. Desde então, ajudou a estruturar o Título de Especialista em Urologia, apoiar a criação de serviços universitários, consolidar grandes centros de excelência e liderar sucessivas ondas tecnológicas – da endourologia e litotripsia à laparoscopia, à cirurgia robótica e às adaptações criativas para a realidade do SUS.
Ao longo das décadas, a SBU se tornou referência em educação continuada, formação e qualificação, com congressos que reúnem milhares de participantes, diretrizes nacionais, campanhas de conscientização e forte presença junto à sociedade, à mídia e às instâncias regulatórias. Hoje, a urologia brasileira é protagonista em uro‑oncologia, transplante, endourologia e reconstruções, com integração multidisciplinar e produção de conhecimento aplicada ao país.
Prêmio Alberto Gentile
Dentro dessa trajetória, desde 1982 o Prêmio Alberto Gentile reconhece o primeiro colocado na prova de Título de Especialista em Urologia. Pela primeira vez, passamos a entregar essa honraria também ao primeiro colocado na prova progressiva do TiSBU, simbolizando o compromisso da SBU com mérito, estudo e excelência na formação de novos urologistas. Entregar esse prêmio é celebrar a história da nossa especialidade, honrar quem nos antecedeu e incentivar as novas gerações a manterem a urologia brasileira como exemplo de ciência, técnica e humanidade.
Gabriel Simões formou‑se em Medicina, fez Cirurgia Geral e Urologia na UNICAMP, sendo primeiro colocado nas provas de 2023, 2024 e 2025; representou o Brasil no Resident’s Bowl da AUA em 2024 e concluiu o fellow em Uro‑Oncologia e Cirurgia Robótica no Hospital Israelita Albert Einstein em 2025 – trajetória que simboliza o que a SBU sonha para o futuro da especialidade.
Telecirurgia robótica
Tive a honra de participar, na arena robótica, de um momento histórico para a nossa especialidade: a realização de uma telecirurgia robótica com comando a partir de um centro de convenções e execução em um centro cirúrgico a mais de 3.000 km de distância, comprovando que a telecirurgia é factível e pode ser realizada com segurança em ambiente real.
Desde a concepção da cirurgia robótica, a ideia de operar à distância inspira debates e impulsiona o desenvolvimento de novas plataformas, redes de alta velocidade e soluções de conectividade. Hoje começamos a ver isso sair do campo teórico e ganhar forma em experiências concretas, que apontam para um futuro de maior acesso, treinamento remoto e integração entre centros de excelência e regiões mais distantes.
Os desafios tecnológicos, éticos, legais e de segurança são grandes, mas podem ser cuidadosamente contornados com planejamento, protocolos rígidos, infraestrutura adequada e equipes altamente treinadas. Ver esse avanço acontecer diante de colegas urologistas, dentro do maior congresso de uro‑oncologia do mundo, reforça a missão da SBU de estar na linha de frente da inovação, sempre colocando a segurança do paciente em primeiro lugar.
Seccionais
Tive a oportunidade ainda de conduzir uma reunião muito especial com representantes das 24 seccionais da SBU. Falamos de temas centrais para o futuro da especialidade: alinhar informações, compartilhar projetos e garantir que todas as regionais estejam conectadas às ações da SBU Nacional em defesa profissional e educação continuada. Em um ano em que celebramos os 100 anos da SBU, ver todas as seccionais engajadas reforça nossa missão de estar próxima dos urologistas em todo o Brasil, levando atualização científica, apoio institucional e uma voz forte junto à sociedade e aos órgãos reguladores. A SBU não para!
Texto: Dr. Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU
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