Primeira telecirurgia robótica ao vivo nas Américas
A primeira telecirurgia robótica ao vivo nas Américas realizada durante um congresso médico teve protagonismo brasileiro e colocou o país no centro da inovação em saúde. O procedimento, uma prostatectomia radical robótica para tratamento do câncer de próstata, foi realizado no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, da Unimed João Pessoa, com transmissão em tempo real para o 17º Congresso Internacional de Uro-Oncologia, em São Paulo.
A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião Dr. André Berger, que operou remotamente o sistema robótico a partir do congresso, em São Paulo. Em João Pessoa, a equipe cirúrgica presencial foi composta pelos urologistas Dr. Rafael Mourato, Dr. Leandro Tavares e Dr. Arthur Paludo, responsáveis pelo suporte local e pela condução integrada do procedimento no centro cirúrgico.
A equipe de anestesia foi comandada pelo Dr. Gualter Ramalho, diretor do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, reforçando o alto nível técnico e assistencial mobilizado para a realização do procedimento histórico.
A plataforma robótica utilizada foi a Edge, tecnologia desenvolvida na China e reconhecida internacionalmente como a plataforma com o maior número de casos de telecirurgia realizados no mundo.
Um dos aspectos mais relevantes da operação foi a utilização de internet convencional para a transmissão dos comandos robóticos e comunicação entre as equipes médicas. O resultado demonstrou a viabilidade técnica de procedimentos remotos seguros utilizando infraestrutura amplamente disponível, ampliando as possibilidades de expansão da telecirurgia no país.
Durante o procedimento, também foi possível testar com sucesso o conceito de telementoria cirúrgica, ampliando ainda mais o caráter inovador da iniciativa. Em determinados momentos da operação, Dr. Rafael Mourato assumiu presencialmente pequenas etapas do procedimento diretamente de João Pessoa, enquanto, em seguida, o comando dos braços robóticos retornava ao Dr. André Berger, em São Paulo. Essa alternância bidirecional de controles entre Paraíba e São Paulo demonstrou, em tempo real, a viabilidade técnica de integração entre equipes locais e especialistas remotos.
Durante a transmissão ao vivo, médicos e participantes do congresso acompanharam cada etapa da operação, desde o acesso cirúrgico inicial até a retirada da próstata e reconstrução final, com possibilidade de interação técnica em tempo real entre os especialistas presentes no evento e a equipe em João Pessoa.
O painel de discussão realizado no Congresso Internacional de Uro-Oncologia reuniu importantes nomes da especialidade: Dr. Alexandre Pompeu, Dr. Antônio Carlos Pompeu, Dr. Renato Oliveira, Dr. Rodrigo Frota, Dr. Hidelbrando Mota e o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Dr. Roni Fernandes.
A plataforma robótica permitiu movimentos de alta precisão, visão tridimensional ampliada e maior controle em áreas anatômicas delicadas.
O feito consolida um marco inédito para a medicina no continente, ao demonstrar que já é possível conectar especialistas e centros cirúrgicos de diferentes cidades com eficiência, segurança e elevado padrão técnico. Além do caráter histórico, a iniciativa reforça o papel da telecirurgia e da telementoria como ferramentas estratégicas para democratizar o acesso a especialistas e ampliar a assistência de alta complexidade em regiões fora dos grandes centros.
A realização da telecirurgia também evidencia a capacidade do Brasil de liderar projetos de inovação médica em escala internacional, posicionando o país na vanguarda da transformação digital aplicada à saúde nas Américas.
Texto: Dr. André Berger, coordenador do Departamento de Terapias Minimamente Invasivas da SBU, urologista do Hospital Vila Nova Star (SP) e chefe da Cirurgia Robótica e Uro-Oncologia Hospital Moinhos de Vento (RS)
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